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Comunidades de Prática na aprendizagem colaborativa

Comunidades de Prática na aprendizagem colaborativa
A aprendizagem é uma atividade inerentemente social onde precisamos interagir com o meio ambiente, o objeto de interesse e os sujeitos envolvidos. Se a interação social regular é fundamental no desenvolvimento da inteligência humana, podem as Comunidades de prática serem adequadas a esta concepção cognitiva de Aprendizagem Colaborativa?
 
Imagine uma abordagem de aprendizagem onde as pessoas aprendem observando o que as outras fazem; onde o conjunto de estímulos semelhantes provoca respostas diferentes de pessoas diferentes ou delas mesmas em momentos diferentes. Nesta abordagem, encontram-se conectados o mundo e o comportamento de uma pessoa e a personalidade é uma interação entre o meio em que o indivíduo está inserido, seu comportamento e seus processos psicológicos.

Não! Não é uma abordagem contemporânea e inovadora, estes são os princípios básicos da Teoria da Aprendizagem Social ou Teoria Cognitiva Social de Albert Bandura, Psicólogo Canadense, Professor de Psicologia Social da Universidade de Stanford, que em 1977 lança as bases desta teoria. Em princípio, o aspecto social da aprendizagem está relacionado à interação humana, ou seja, aprendizagem colaborativa através do contato e associações regulares com outros indivíduos. A aprendizagem social é um processo de observação do comportamento de outros indivíduos e suas consequências, para que o observador possa adaptar seu próprio comportamento de acordo com o grupo.

Desde 1950, temos ciência de que o indivíduo é considerado um sujeito ativo que procura se relacionar com o meio físico e o meio social, para assim construir relações significativas, segundo a Epistemologia Genética de Jean Piaget. Piaget contribuiu também para a explicação sobre a natureza construtiva do desenvolvimento e do potencial humano, já que para ele, o conhecimento humano se constrói na interação homem-meio, sujeito-objeto, ou seja, operar sobre o real e transformá-lo a fim de compreendê-lo.

Lev Vygotsky compreendeu de forma similar estas explicações e baseia-se no princípio de que a inteligência tem origem social, onde a aprendizagem acontece inicialmente a partir da interação entre duas ou mais pessoas, cooperando em uma atividade interpessoal, para haver uma reelaboração intrapessoal. Uma das grandes contribuições de Vygotsky, a ZDP (Zona de Desenvolvimento Proximal) relaciona o que uma criança realiza sozinha (zona de desenvolvimento real) e o que ela é capaz de aprender com a ajuda de uma pessoa mais experiente (zona de desenvolvimento potencial). Portanto, a colaboração nas atividades de aprendizagem e reorientação das fronteiras da ZDP são aspectos fundamentais no desenvolvimento da inteligência.

Trabalhar colaborando?

Mas então, nos perguntamos, agora, o que significa esta “colaboração” e como pode ser importante no desenvolvimento pessoal através da aprendizagem?

Em princípio, quase sempre somos confrontados com a dicotomia Colaboração/Cooperação. Afinal, nós aprendemos colaborando ou cooperando? Inicialmente, Colaboração foi definida por Karl Marx como múltiplos indivíduos trabalhando juntos de maneira planejada no mesmo processo de produção ou em processos de produção diferentes, mas conectados. Enquanto na Cooperação os indivíduos realizam tarefas separadas que contribuem para o produto final, na colaboração os indivíduos engajam-se nas mesmas tarefas, corrigindo um ao outro, trocando ideias, exercitando a força de maneira combinada.

Novamente, para a psicologia socioconstrutivista de Vytgosky, colaboração é o traço essencial da atividade humana que é a base para toda a aprendizagem. A natureza social inerente a aprendizagem é comprovada através da ZDP, onde o aprender só se concretiza na interação com outros indivíduos que possuem habilidades e conhecimentos interdependentes. Em outras concepções, a colaboração está relacionada a uma atividade coordenada e síncrona que é o resultado de uma tentativa continuada de construir e manter uma concepção compartilhada de um problema.

Aprender colaborando?

Para Pierre Dillenbourg, a aprendizagem colaborativa:

“(…) parte do princípio de que dois ou mais indivíduos trabalhando conjuntamente possam chegar a uma situação de equilíbrio, onde ideias possam ser trocadas, distribuídas entre os participantes do grupo, gerando assim, novas ideias, novos conhecimentos, frutos do trabalho coletivo.”
A Teoria da Aprendizagem Social de Bandura exige que o aprendiz tenha Atenção, para aprender algo novo; Retenção para lembrar-se daquilo que prestou atenção, transformando-o em transcrições verbais ou imagens mentais; Reprodução, para ser capaz de traduzir as imagens ou descrições no comportamento real; e, Motivação, para imitar o modelo.

Já em Dillenbourg, uma Teoria de Aprendizagem Colaborativa precisa de: Critério para definir uma situação, com simetria, divisão de tarefas e padrões de interações; Interações, que disparam mecanismos cognitivos que geram efeitos cognitivos (troca, negociação, etc.); Processos, para criar um modelo mutuamente aceito, gerando indução e carga cognitiva; e, Efeitos, que são os resultados dos processos sobre o objeto de aprendizagem (ideia, produto, conhecimento, interação).

Neste contexto, para que as Comunidades de Prática sejam bem-sucedidas é necessário que elas sejam capazes de serem sistemas de aprendizagem social. É neste contexto que Wenger identifica os elementos constitutivos desta aprendizagem social: Comunidades de Prática, Processos Limítrofes entre as comunidades e Identidades como forma de participação. Através da interação regular e da troca de experiências, as comunidades de prática podem suportar a aprendizagem social na medida em que seus membros aprendem sobre um domínio e também sobre a própria participação. Neste sentido, as comunidades de prática oferecem suporte à interação social ao mesmo tempo que estimulam o processo de participação e aprofundamento do domínio de aprendizagem.
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