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Comunidades de Prática na colaboratividade

Comunidades de Prática na colaboratividade
Larry Prusak, pesquisador e fundador da IKM (Institute for Knowledge Management), depois de interagir com cerca de 400 projetos de Gestão do Conhecimento, espalhados pelo mundo todo, pode apontar o conhecimento como sendo “profundamente social”, já que os indivíduos possuem memórias próprias, mas não tem um conhecimento separado, individual.

Este é um ponto chave na contemporânea sociedade do conhecimento. Desde o advento de culturas menos ocidentais de administração, a ênfase nos ativos intelectuais aponta para um conhecimento que é organizacional, corporativo. Esta nova interface aponta para equipes de trabalho auto-organizáveis, processos de comunicação e gestão mais integrados e um propósito evolucionário da organização, como bem resume Frederic Laloux, no seu livro "Reinventing Organizations".

Portanto, a socialização do conhecimento é uma ferramenta chave de evolução, podendo ocorrer de diversas maneiras e por inúmeros meios, baseado em comunidades que reúnem pessoas de maneira informal e contextual por interesses comuns na troca de experiências e, principalmente, na aplicação prática.

Comunidades de prática são meios diretos de contextualizar esta interação. Conforme formulado por Etienne Wenger, comunidades de prática consistem em um grupo de pessoas que compartilham um interesse sobre um assunto ou problema e aprendem através de interações regulares. Interações estas, que podem ocorrer de forma presencial ou mesmo virtual, mas deve possibilitar a troca de conhecimento, que ao serem postos em prática pelos outros membros, auxiliam na busca de soluções e das melhores práticas, promovendo a aprendizagem do grupo.

Reconhecer o poder das comunidades informais de colegas, sua criatividade e recursos para resolver problemas, e sua habilidade de inventar formas melhores e mais fáceis de resolver seus desafios é a interface para equipes auto-organizáveis, mais integradas e com um propósito evolucionário da organização (aprendizagem organizacional).

Para Wenger, ainda, uma comunidade de prática não é apenas um agregado de pessoas definidas por algumas características, mas sim de indivíduos que aprendem, constroem e fazem a gestão do conhecimento. Uma comunidade de prática se estrutura em torno de três elementos fundamentais: um domínio de conhecimento, que define um conjunto de interesses comuns; a comunidade de pessoas que se preocupam com este domínio; e a prática compartilhada que eles desenvolvem como um repertório de experiências, histórias e ferramentas, as quais os qualificam para enfrentar situações inovadoras.



Comunidades de prática são ferramentas fundamentais na aprendizagem colaborativa. Em termos de gestão do conhecimento agregam valor às organizações de várias formas:

  • na orientação das estratégias corporativas de gestão do conhecimento;
  • criando novas linhas e oportunidades de negócios para clientes a partir da interação de problemas e necessidades compartilhadas;
  • na resolução mais rápida e eficaz de problemas, já que os membros da comunidade de prática sabem a quem pedir ajuda e compreendem o conhecimento compartilhado;
  • na propaganda e disseminação das melhores práticas na empresa;
  • na transparência dos talentos e oportunidade que decorrem do conhecimento das habilidades e interesses integralizadas na organização.
Atualmente, as comunidades de prática não remetem tanto as antigas Corporações de Ofício, como resgata Wenger e William Snyder, mas sim a presença virtual que nos conecta constantemente. Sem os avanços recentes na informática seria difícil caracterizar e constituir comunidades virtuais. Portanto, as comunidades de prática não teriam seu momento de ascensão e domínio sem uma tecnologia que as integre.
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