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Comunidades de Prática no Facebook?

Comunidades de Prática no Facebook?
Comunidades de Prática podem “curtir” ambientes tradicionais de Redes Sociais? Ferramentas de redes sociais, tais como Facebook, oferecem um ambiente rápido, simples e barato para comunidades interagirem e comunicarem. Está cada vez mais presente na nossa vida social. Atualmente, até mesmo, nossas vidas profissionais e acadêmicas reclamam a interação digital em Nuvem. Na aprendizagem colaborativa as comunidades de prática ganham mais atenção mas também reclamam funcionalidades bem específicas.

Comunidades de prática podem ser confundidas com Redes Sociais? Para responder, precisamos descobrir o que são, afinal, Redes Sociais? Podemos defini-la sob três aspectos.

Morfologicamente podemos relacionar o termo Rede Social ao seu conteúdo semântico intrínseco: rede, do latim rete (estrutura com um padrão característico) e social (aquilo que pertence ou que é relativo à sociedade). Portanto, a noção de rede social está relacionada a uma estrutura padronizada onde um grupo de pessoas mantém algum tipo de vínculo.

No seu aspecto socioantropológico, a rede social refere-se ao conjunto de relacionamentos e interações pessoais entre indivíduos, que na Sociometria, é caracterizada por um conjunto de nodos e links ponderados.

No aspecto tecnológico, são ambientes e plataformas computacionais que oferecem suporte ao funcionamento destas redes sociais humanas. Sites, Serviços ou Plataformas de Redes Sociais, são serviços baseados na Web que permitem aos indivíduos construirem um perfil público, selecionarem uma lista de outros usuários com quem queiram se relacionar, visualizarem e interagirem nesta lista de conexões para compartilhar conteúdos.

Reunindo o conceito sob estes três aspectos, podemos esperar que uma comunidade se oriente em torno de uma Rede Social através do desenvolvimento de uma identidade compartilhada em torno de um tópico que indique uma intenção coletiva, possivelmente tácita e distribuída, mas direcionada a um domínio do conhecimento para sustentar o aprendizado sobre ele.

Portanto, podemos concluir que uma comunidade de prática pode se constituir de uma rede social, enquanto envolvem conexões entre membros. Mas nem todas as redes sociais são comunidades de prática, já que não envolvem apenas conexões entre indivíduos, mas entremeia o domínio (assunto, objetivo comuns) e cria um senso de comprometimento de aprendizagem e trocas sociais regulares na sociedade, sempre em torno do domínio.

O Facebook

A rede social mais popular atualmente, o Facebook dispensa apresentações. Popular pela sua facilidade de uso, oferece perfis pessoais, conexão com amigos, troca de mensagens, notificações automáticas, mecanismos de avaliação de posts (Likes), comunicação e configurações de segurança. Organizado em uma timeline padrão, apresenta um Feed de Notícias simples com funcionalidades de interação (curtir, comentar, compartilhar), além de uma grande variedade de aplicativos de interação social, como por exemplo Grupos, Eventos, Páginas, Presença síncrona (Messaging), entre outros.

A principal funcionalidade do Facebook é sua própria proposta original, manter uma espécie de catálogo de amigos e conhecidos que possam compartilhar informações entre eles. A rede de amigos forma uma estrutura complexa de conhecidos, à medida que as permissões de privacidade oferecem visibilidade para vários níveis de conexão. Oferecido de forma gratuita, o Facebook lucra com publicidade, incluindo banners, destaques patrocinados no feed de notícias e grupos patrocinados. Estas duas características é que geram as maiores críticas ao aplicativo, em relação a segurança, privacidade e complexidade de estrutura da rede.

Facebook na Comunidade

A medida que um indivíduo cria seu perfil pessoal no Facebook, o convite de conexão aos amigos forma uma comunidade espontânea. Inicialmente, sem critérios rígidos de formação, a principal motivação é centrada no relacionamento em si. Portanto, os interesses são os mais variados possíveis e a rede de assuntos é ampla e, notoriamente, relacionada a assuntos pessoais e cotidianos.

Em termos individuais, o aspecto interacional da comunicação é satisfatório pois mantém a “proximidade” entre os envolvidos. Atividades coletivas são auto-motivadas pela comunicação instantânea, o que fortalece a rede de cooperação e a troca de informações. Adquirimos a sensação de proximidade constante e ajuda fácil ao alcance das mãos. Em comunidades acadêmicas (discentes e docentes), já se discute que redes sociais oferecem facilidades de aprendizagem e motivação ao ensino-aprendizagem, à medida que consultas e tarefas em grupo podem ser “socializadas” entre seus membros.

Em termos de Educação contemporânea, muitos estudos conduzem à adoção de ferramentas como o Facebook para melhorar a dinâmica da aprendizagem, aproveitando a ubiquidade do relacionamento, ou seja, uma espécie de “educação expandida” contando com uma rede emergente e crescente de colaboradores no mundo digital.

Comunidade no Facebook

Em outra direção, indivíduos podem consolidar grupos usando o Facebook Groups ou podem acessar grupos já existentes. Facebook Groups são usados por membros cadastrados para conectar, compartilhar e colaborar em um tópico específico. Esta área permite apenas adesão por convite, consolidando assim um grupo controlado ou limitando o espaço para grupos específicos ou privados.

De um ponto de vista de aprendizagem, é um exemplo correto de ambiente colaborativo pois envolve uma área para contexto compartilhado, controlado por moderadores e destinado a um tópico específico; existe uma forma de postar arquivos e documentos, embora não haja uma área estruturada de documentos, além do tradicional Feed de notícias e todas as outras funcionalidades do Facebook. Permite também um Chat (bape-papo) no grupo de modo a envolver todos os participantes.

Deste modo, o Facebook Groups preenche vários dos requisitos de uma comunidade de prática, delimitando um domínio, definindo um grupo controlado na comunidade e estabelecendo a troca de conhecimento em torno do tópico/domínio, que pode, neste ponto estar relacionado a práticas cotidianas dos seus membros.

Considerando Comunidades de Prática

Retomando a questão inicial deste texto, em que nem todas as redes sociais são comunidades de prática, já que estas envolvem mais do que apenas conexões entre indivíduos, é preciso levar em consideração várias recomendações no tocante as funcionalidades disponíveis, apropriadas ao modus operandi de uma comunidade que precisa compartilhar e melhorar suas práticas operacionais cotidianas em torno de um domínio.

Dificuldades enfrentadas por usuários do Facebook advém de certas características das suas funcionalidades. Pode ser um pouco difícil, por exemplo, encontrar e acompanhar contribuições e discussões passadas no feed de notícias único e linear. Mesmo com as configurações sobre o que priorizar nas preferências, indivíduos participando de vários grupos podem ter dificuldade em localizar posts antigos.

Dependendo das preferências de acesso e visualização da timeline de cada um dos outros membros do grupo, pode ser difícil controlar o que aparece no seu feed de notícias, incorrendo na possibilidade de se misturar questões pontuais da comunidade com o cotidiano do resto da sua rede social. Geralmente é uma questão pertinente nas organizações quando corre-se o risco de misturar “trabalho” com “lazer”.

Este uso do Facebook pode causar certa confusão em usuários menos experientes no cotidiano de interações online, possibilitando que seu conteúdo seja inadvertidamente transmitido, se você não souber lidar com configurações ou porque a ferramenta é menos focada nas necessidades de domínios contextualizados das comunidades de prática. O Facebook fornece uma forma usual de gerar conversas espontâneas na sua rede, mas como ferramenta de colaboração, nem sempre proporciona uma conversa mais estruturada para discussões sobre um tópico específico.

Concluindo, a partir da primeira constatação de que uma comunidade de prática pode se constituir de uma rede social, ferramentas como Facebook fornecem um ambiente favorável as necessidades de interação de um grupo. No entanto, podem não cobrir totalmente com todas as características e indicadores determinantes de uma comunidade de prática.

Neste sentido, várias direções podem ser vislumbradas. Por parte do Facebook é o recente lançamento de uma versão mais focada em colaboração nas organizações, o Facebook Workplace. No tocante as caraterísticas de comunidades de prática, o Facebook pode ser mais adequado a algum dos vários “estilos” de comunidades de prática, quando respeitar os indicadores determinantes considerados por Etienne Wenger.

Mas isto, já é assunto para os próximos artigos…
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