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Os 4 erros mais comuns no uso de Comunidades de Prática

Os 4 erros mais comuns no uso de Comunidades de Prática
Na atual sociedade do conhecimento, gerir o ativo intelectual de um grupo de pessoas gera um alto valor agregado para a inteligência competitiva das organizações. As Comunidades de Prática são uma resposta natural para esta nova cultura, que ainda está descobrindo suas possibilidades e desdobramentos nesta nova fronteira organizacional.

Valorizar o ativo intelectual é uma estratégia cada vez mais indispensável no atual contexto competitivo, nas discussões acadêmicas, e entre os investimentos realizados nas organizações, quando a questão é fazer frente à competição. Ou seja, só vencemos a competição através da colaboração. Soluções tecnológicas ditam a velocidade dos mecanismos de controle da gestão, enquanto as pessoas passam a contar como um alto valor de capital intangível. A gestão de grupos de trabalho através de Comunidades de Prática, por exemplo, tem ganhado muita atenção atualmente. Entretanto, gerenciar estas comunidades com maior autonomia e eficiência se revela uma tarefa complexa que pode causar mudanças profundas nas estruturas hierárquicas. Quais seriam os principais erros que se incorrem no uso de comunidades de prática em nossas ações gerenciais e de aprendizagem?

1. Mudança de cultura organizacional

Não considerar o hábito de participar em Comunidades Virtuais na rotina de trabalho e não incluir esta prática nos processos organizacionais significa criar mecanismos adicionais ineficientes e desestimulantes para todos. Qualquer plataforma ou mecanismo adicional será um fardo ou obstáculo se não for considerado no planejamento das rotinas e nos processos gerenciais e operacionais.

2. Confusão de Conceitos e Aplicações

Confundir Comunidades de Prática com outros mecanismos de colaboração/interação mais conhecidos:

  • Um grupo de trabalho desenvolve um produto ou presta um serviço através de um grupo de pessoas selecionados por um Gerente. O grupo tem em comum apenas os requisitos para este trabalho e duram até o próximo trabalho/demanda;
  • Uma equipe de projeto reune empregados selecionados, novamente, por um Gerente, para realizar uma tarefa até a conclusão do projeto. Possuem em comum as metas e pontos envolvidos no projeto.
  • Uma rede de relacionamentos reune amigos e conhecidos para troca de informações. Duram enquanto houver um motivo para o contato e tem em comum o fato de se conhecerem.
  • Uma comunidade de prática reune um grupo de pessoas através de uma “paixão” comum sobre o mesmo assunto, para desenvolver competências e melhores práticas sobre este assunto (domínio), enquanto houver interesse em manter o grupo para aprenderem mais.

3. Suporte Tecnológico Inadequado

Basear o suporte tecnológico de uma estratégia de gestão de conhecimento colaborativo em múltiplas plataformas desconexas ou incompletas, não garante a resposta eficiente da interação. Conceitualmente, comunidades de prática estabelecem relações muito complexas e profundas aliadas ao domínio de interesse, o cotidiano das práticas laborais deste domínio e o relacionamento humano entre os participantes. O escopo do relacionamento ultrapassa qualquer plataforma de rede social ou ambiente virtual disponível na rede, quando descompromissada com os processos organizacionais do grupo. Muitas soluções tecnológicas oferecem ferramentas de comunicação, outras oferecem edição colaborativa de textos e outras, ainda, são especializadas em mensagens instantâneas. Algumas armazenam as interações de forma organizada, enquanto outras não possuem repositórios aparentes. Muitas facilitam o acesso móvel em qualquer lugar através dos smartphones, mas cada uma destas ferramentas, sozinha, não oferece todo o arsenal que normalmente é necessário para uma comunidade de prática.

4. Gestão da Comunidade

Mesmo sendo uma comunidade muitas vezes formada de modo espontâneo, comunidades de prática raramente sobrevivem sem pessoas chaves na condução da colaboração e interação. Selecionar pessoas com perfil adequado para compor os papéis-chave da estruturação e implantação de comunidades de prática garante um ciclo de vida coerente e evolutivo do grupo. Pessoas reconhecidas pelo seu bom relacionamento inter-pessoal e pelo papel de formadores de opinião são excelentes pontos de partida. Mas também é fundamental a constante preocupação e competência na abordagem colaborativa, no conhecimento das ferramentas tecnológicas disponíveis e na forma de validação das práticas envolvidas.

Conclusões

Segundo o próprio Etienne Wenger, estratégias de gestão de conhecimento baseadas em Comunidades de Prática não se constituem em meros planos a serem planejados e cumpridos. Assemelha-se mais a um movimento social que ganha impulso como uma ideia nova, mudando as expectativas das pessoas e o senso de possibilidades. O propósito é obter do grupo um ciclo de aplicação e renovação do conhecimento, principalmente das práticas cotidianas pelo qual o grupo possa se desenvolver através de ações na identificação e responsabilidade em áreas-chave do conhecimento.

Portanto, torna-se indispensável para gerenciar estas comunidades com maior autonomia e eficiência se conseguirmos lidar com estes erros essenciais logo no início do processo de implantação e uso de comunidades de prática em nosso cotidiano.

Aprenda como lidar com estes quatro erros e outras questões fundamentais, interagindo em nosso curso sobre Facilitação em Comunidades de Prática.
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